Médico pode ser MEI? Não — e o que fazer em vez disso
É uma das perguntas mais buscadas por quem acabou de pegar o CRM — e a resposta é curta: não, médico não pode ser MEI. A lei do MEI exclui as atividades intelectuais regulamentadas, e a medicina é exatamente isso: profissão de formação superior, com conselho de classe. O mesmo vale pra dentistas, psicólogos, advogados e engenheiros.
A má notícia é que a porta mais barata da formalização está fechada pra você. A boa notícia: os dois caminhos que sobram, bem escolhidos, costumam custar menos imposto do que a maioria dos médicos paga hoje — porque a maioria escolhe no escuro, ou nem escolhe.
Caminho 1: autônomo, no CPF
Você atende como pessoa física e recolhe o imposto pelo carnê-leão: todo mês, sobre o que recebeu de pessoas físicas (consultório, particulares), com a tabela progressiva do IRPF — que chega a 27,5% — mais o INSS de autônomo.
Parece simples, mas tem duas pegadinhas que custam caro:
- O carnê-leão é mensal e obrigatório. Atrasou, multa. Errou, malha fina — receber de várias fontes e declarar errado é um dos gatilhos mais comuns de malha pra médicos.
- Sem livro-caixa, você paga imposto à toa. Aluguel do consultório, secretária, materiais: tudo isso é dedutível do carnê-leão — se estiver escriturado mês a mês. Quem não faz o livro-caixa doa a dedução.
Caminho 2: PJ — abrir a sua empresa médica
Aqui a conversa muda de patamar. Como pessoa jurídica no Simples Nacional, a medicina começa no Anexo V, com alíquota a partir de 15,5%. Só que existe uma alavanca chamada Fator R: quando a sua folha de pagamento — incluindo o seu pró-labore — representa 28% ou mais do faturamento, a empresa migra pro Anexo III, que começa em 6%.
São até 9,5 pontos percentuais de diferença, todo mês, dependendo de um número que precisa ser calibrado e acompanhado — não é automático, e não é "configura uma vez e esquece".
Em contrapartida, a PJ tem obrigações: escrituração contábil, declarações, folha. Por isso a lei exige contador — e é aí que muita economia teórica morre em honorário caro.
Quer ver a diferença em reais, com o seu faturamento?
Simular PF × PJ na calculadora →Qual dos dois vale mais a pena?
Depende de três coisas: quanto você fatura, de quem você recebe (pessoa física ou hospitais/clínicas com CNPJ) e quanto custa manter cada estrutura.
- Faturamento baixo e quase tudo de PF — o CPF com carnê-leão bem feito (com livro-caixa!) pode bastar no começo.
- Plantões e repasses de hospitais — a PJ costuma ganhar com folga, principalmente com o Fator R calibrado.
- Misto — que é a vida real da maioria: consultório + plantão + convênio. Aí cada fonte tem um tratamento, e organização vira dinheiro.
Uma regra honesta: a conta exata é individual. Simulações dão direção; quem crava o número, olhando o seu caso, é contador.
O erro mais caro: não decidir
O pior cenário não é escolher o caminho errado — é ficar anos no improviso: recebendo como PF sem carnê-leão em dia, sem livro-caixa, ou numa PJ jogada no Anexo V sem ninguém olhar o Fator R. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: imposto pago a mais, todo mês, em silêncio.
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